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BRASIL, Nordeste, TERESINA, Mulher, de 20 a 25 anos, Bihari, Tonga

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Quando Natal e Ano Novo começam a se fazer presentes...

São poucas as horas como esta agora, tão sublimes. Uso a desculpa de que tenho que sair amanhã cedo – o que não deixa de ser verdade – para ficar em casa na sexta-feira à noite. Devia estar dormindo há um tempo, mas estou sem sono, como sempre... essa insônia ainda me mata... estou sozinha, fechada na minha concha, e pela primeira vez em algum tempo, eu gosto disso. Sumi para o mundo, vivo apenas para mim, e isso vem acontecendo há o quê?, umas três semanas? Mais, eu acho... tem momentos em minha vida em que eu mesma me basto, não que esses momentos sejam freqüentes, eles são bem raros, mas quando acontecem, são realmente magníficos. Como agora de noite, eu aqui sozinha, na frente do computador, atualizando meu estoque de conhecimentos – alguns úteis, outros nem tanto – para futuras conversas quando esse meu momento acabar e eu voltar a ser carente de atenção, ou seja, quando eu voltar ao normal. Olha aí a contradição, eu estou dizendo que estou me bastando, ao mesmo tempo em que me preocupo com o que vai acontecer quando este momento acabar, o que, pelos meus cálculos, não está muito distante, acho que em dois ou três dias eu estarei de novo me submetendo a coisas que eu realmente não gosto. Mas fazer o quê?, é o mal de se viver em sociedade, ninguém faz só o que quer, a gente tem de se adequar ao grande oceano, uma gotinha não faz diferença. Se uma pequena gotinha resolve se revoltar e quiser ir em sentido contrário às outras, ela acaba indo de encontro à um paredão de gotinhas e... ok, esqueçamos as gotinhas, isso me lembra aquele boneco das campanhas de vacinação, uma aberração cujo nome, afinal, não podia ser outro a não ser “Zé”... é que a gente vai chegando perto do Natal, as lojas começam a se enfeitar para a tal da “festa mais bonita do ano”, o que eu discordo veementemente, acho o Natal uma festa vinda diretamente dos infernos para atormentar a nós, pobres mortais que nem temos tanta vergonha assim dos nossos pecados, mas, vá lá, o povo bate tanto nessa tecla que se torna impossível a gente não se sentir pelo menos um pouquinho triste. Ora, palhaçada, como é que querem nos convencer de que o Natal é lindo se tudo o que fazem é nos lembrar o quanto de pobres existem no mundo e o quanto a gente tem sorte! Que bosta, eu não quero saber de pobres, eu quero apenas ficar em paz, ganhar o presente que eu escolhi e comer sossegadamente o meu peru... (hihihihihihihihi...) Aí vem o ano-novo, onde todo mundo promete que vai mudar de vida, enquanto houver próximo ano, haverá um mané querendo mudar de vida e fazer promessas. Tradicionalmente, promessa de ano-novo acaba no dia 03 de janeiro, quando a ressaca acaba, o mané grita “eu prometo que esse ano eu vou mudar, vou parar de beber!”, todo mundo ouve, aí, no dia seguinte, o amigo encontra o cara no bar e pergunta “ué, Fulano, tu não ia parar de beber?”, e o tal Fulano se espanta: “Eu?? Parar de beber?? Nunca! Eu devia estar bêbado quando falei aquilo!”, e por aí vai, aliás, já é tarde e eu tenho que ir dormir, amanhã eu tenho que acordar cedo... não falei que era verdade??

 Escrito por M.Ad. às 00h20
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